domingo, 23 de Novembro de 2014

The Boxtrolls

A história não é particularmente original, mas o texto é bom, a fotografia sublime e a animação genial. Até a dobragem para português ajuda. Fazer um filme destes deve ser simultaneamente uma tarefa hercúlea e profundamente divertida. A não perder.




[mais aqui]

sábado, 22 de Novembro de 2014

"7 mil milhões de outros"

Hoje fomos ver in loco a vídeo-exposição "7 mil milhões de outros", um projecto de Yann Arthus-Bertrand concretizado através da GoodPlanet Foundation. A exposição encontra-se no Museu da Electricidade, em Belém, com um preço de entrada bastante acessível (gratuito para os miúdos e 2 euros para os adultos) e merece mesmo ser visitada.




Já conhecia Yann Arthus-Bertrand de outros projectos, com detaque para o maravilhoso "La Terre vue du Ciel", e por isso a expectativa era elevada. A video-exposição não apenas não me decepcionou como superou a ideia que havia criado acerca do projecto.

A sala "Mosaico", um auditorio com projecção de rostos em três paredes - milhares deles, todos de olhos postos em nós, durante todo o tempo que permanecemos naquele espaço -, arrepia. A montagem cinematográfica é simples mas audaciosa. O aparente ruído causado por milhares de caras e olhos projectados resulta na prática de forma perfeitamente coerente e enternecedora. Os olhos, os sorrisos, as cicatrizes, os narizes, os lábios e as rugas daqueles que estão do lado de lá parecem abraçar os que, emocionados, os observam do lado de cá. Dá vontade de ali permanecer por tempo indefinido.




A exposição é depois partida em pequenos auditórios nos quais são projectados vídeos temáticos, todos disponíveis para visualização no site do projecto. Entrar em cada um deles forçará o visitante mais interessado a permanecer várias horas no interior do espaço.

"7 mil milhões de outros" é um dos projectos mais interessantes e necessários que pude experienciar nos últimos tempos. Na verdade trata-se de uma resposta concreta a problemas igualmente concretos que se colocam às pessoas, às suas comunidades, aos países e regiões, à Humanidade e ao planeta como um todo. Nele é absoluta e esmagadoramente visível o desejo de mudança - assim, indefinida - dos povos deste mundo. Que mobilização e sentido dar à mudança: eis a pergunta para a resposta do milénio.

Cada um de nós terá a sua opinião sobre o que é a mudança, o que a deverá motivar, como a podemos concretizar. Há quem julgue que ela começa pelas ideias e há quem afirme que sem prévia alteração das bases sociais não haverá possibilidade de alteração de "consciências". Há quem clame por maior igualdade, e há quem defenda apenas caridade. Há quem deposite esperanças na intervenção divina sobre os assuntos dos homens e há quem não encontre da presença divina evidência alguma. A explicitação da diversidade é um dos traços caracterizadores da vídeo-exposição.

Por outro lado nela encontramos pontos de profunda identificação entre gentes dos mais diversos povos desta grande família que é a Humanidade. Sonhos comuns, receios partilhados, interdependências evidentes. É talvez neste domínio que reside a esperança relativamente à perspectiva de sermos ainda capazes de salvar o planeta do desastre ambiental, as populações da guerra permanente, os povos da exploração da maioria pela ínfima minoria, os homens e as mulheres da infelicidade (ou pelo menos da ausência de felicidade) que parece marcar de forma vincada e estruturante as janelas da alma que são as caras dos entrevistados.

Ou nos unimos, ou acabamos como espécie.

Uma exposição a não perder, mesmo.

Fotografia [#2]

 


L'aéroplane de Papa [Roberto Doisneau]

quinta-feira, 20 de Novembro de 2014

"Retas aos esses".

Já o escrevi e reafirmei. Este post é um reafirmação da reafirmação, um afirmo ao quadrado: o Afonso Cruz é o melhor escritor português vivo. Não digo da língua portuguesa porque o Mia Couto, que é moçambicano, e o José Eduardo Agualusa, angolano, causam-me dúvidas no que à (irrelevante, de resto) atribuição do galardão diz respeito. Seja como for parece-me que em Portugal, no momento presente, não há escritor mais inquieto e inquietante.




"Retas aos esses" é o título de uma das partes de "O pintor debaixo do lava-loiça". A imagem parece-me feliz e totalmente ilustrativa relativamente aos livros do Afonso Cruz que conheço. As histórias têm uma estrutura, uma sequência, uma cronologia até. São rectas nesse sentido. Só que são rectas aos esses. Os pequenos capítulos que formam os livros do Afonso Cruz são fractais, pequenas partes que parecem conter em si todo o sentido - ou todo o significado, se preferirem - da obra final. Ler o capítulo "A multiplicação dos pães é uma divisão", de "O pintor debaixo do lava-loiça", vale por si só a compra do livro. Josef Sors está inteiro naquelas duas ou três páginas, que são um esse na recta da história.

A leitura de "O pintor debaixo do lava-loiça" confirma-me que os textos do Afonso Cruz têm em mim a ressonância que tiveram no passado os de Saramago e Agostinho da Silva. Alguns do Eduardo Lourenço também. Provocam-me inquietação, dúvida, dispersão como diria Josef Sors. "A boneca de Kokoschka" corre o risco de ser ultrapassada no meu subjectivo pódio dos livros mais maravilhoso da minha triste existência.

De resto encontrei na obra do Afonso Cruz uma visão pragmática que se afasta do cinismo pragmatista daqueles que não se cansam de afirmar que "sempre foi e sempre será". Nos textos do Afonso Cruz a realidade aparece-nos tal como existe, mas isso não significa que a aceitamos como inevitável. Afinal de contas todas a rectas têm os seus esses.

Numa palavra: a obra do Afonso Cruz faz-me crescer, torna-me uma pessoa melhor, menos rígida, mais optimista e atenta às pequenas suaves ilusões de que fala Herman Hesse no início do seu "Aquista", de 1925. Não lhe poderei endereçar elogio mais verdadeiro.


[imagem]

quarta-feira, 19 de Novembro de 2014

domingo, 16 de Novembro de 2014

Requiem.

As guerras não se fazem apenas com armas e soldados morrendo de ambos os lados. Como bestas que são, as guerras alimentam-se de muito mais do que chumbo e sangue daqueles que pegam em armas. É disso que fala este "Requiem: By the Photographers Who Died in Vietnam and Indochina", livro que tenho entre mãos.

O tema interessa-me muitíssimo. A guerra do Vietname terminou mais ou menos na altura em que nasci. Dezoito anos depois foi lendo Wilfred Burchett que descobri o heróismo dos primeiros homens e mulheres que tomaram de assalto, sem outras armas que não paus de madeira simulando carabinas, os fortes franceses na Indochina.

No Vietname travaram-se pelo menos três guerras consecutivas. A primeira, entre vietnamitas anti-colonialistas e os ocupantes franceses de então. Depois a chamada "segunda guerra do Vietname", vencida pela guerrilha sul-vietnamita do "Vietcong" contra os Estados Unidos da América e o seu governo do Vietname do Sul. Por fim a terceira, que levou o povo da pátria de Ho Chi Mihn a libertar o Cambodja do governo assassino de Pol Pot, fortemente apoiado por uma coligação anti-soviética e anti-vietnamita formada por norte-americanos e chineses.

"Requiem: By the Photographers Who Died in Vietnam and Indochina" conta sobretudo pedaços da história da "segunda guerra" da Indochina. A mais conhecida e contada à maneira dos derrotados. Curiosa particularidade do conflito vietnamita: ao contrário do que normalmente sucede, é a versão da parte derrotada aquela que conhece maior divulgação e passiva aceitação junto daqueles que, fortemente influenciados pela máquina cinematográfica de Hollywood, nada conhecem sobre a história da Indochina.


sábado, 15 de Novembro de 2014

José Casanova.

Fiquei a saber há pouco que morreu o José Casanova.

O José Casanova é uma das minhas grandes referências nesta vida. Profundamente honesto e empenhado na luta por uma vida melhor para este país e este povo, foi um dos comunistas mais consequentes, corajosos e humildes que conheci. Trata-se de um estatuto elevado, no seio de um partido que felizmente é rico em gente consequente, corajosa e humilde.

A vida não me permitiu ser uma pessoa tão próxima do José Casanova quanto eu gostaria. Em todo o caso, aproveitei sempre as ocasiões em que estivemos juntos para conversarmos. O José Casanova era um excelente conversador. Daqueles que não se limitam a falar, mas que sabem fazer pausas para ouvir os outros e considerar as opiniões alheias ao nível das suas próprias opiniões.

Há dois ou três anos estivemos juntos num jantar de comemoração de mais um aniversário da Revolução de Outubro. Nesse dia jantámos lado a lado. O José Casanova falou-me da perspectiva, que o animava, de um dos seus romances ser traduzido para castelhano e posteriormente publicado na América Latina. Tratava-se de um projecto que o entusiasmava sobretudo pela possibilidade de dar a conhecer a mais gente, a mais povos, a realidade portuguesa e a luta daqueles que dedicam a vida à sua transformação profunda.

Também me falou do Benfica, uma das paixões da sua vida. Naquele dia contou-me histórias da inauguração do Estádio da Luz, e do protagonismo que nela tiveram os operários que erigiram o imponente parque desportivo do Sport Lisboa e Benfica. Fê-lo com tanto entusiasmo e carinho que me provocou - a mim, antipatizante crónico do clube em questão - comoção e simpatia pelo emblema que partilha com que o PCP a belíssima cor historicamente associada à luta dos oprimidos contra os opressores de todos os tempos.

Li muitos textos do José Casanova. Ouvi-o em várias ocasiões, públicas e fechadas. Neste dia triste gostaria de recordar uma delas: a sua emocionada intervenção no XIX Congresso do PCP em Almada, a 30 de Novembro de 2012. (ver em baixo)

A notícia da morte de José Casanova deixa-me profundamente triste. Mas como sabemos a vida continua, e a melhor forma de celebrar a sua memória é dar continuidade do seu (ao nosso) projecto.

Até sempre, camarada.




Alguns dados biográficos:

José Casanova.
Operário.
Membro do Partido desde 1959 e funcionário do Partido desde 1975. Cinco anos de prisão.
Foi membro da União da Juventude Portuguesa.
Trabalhou sucessivamente nas organizações do Partido no Couço, na Venda Nova - Amadora e em Lisboa. Emigrou para a Bélgica em 1971, continuando aí a actividade partidária junto dos emigrantes.
Foi Presidente da Associação dos Portugueses Emigrados na Bélgica.
Em 1974 regressou a Portugal, integrando a Comissão Concelhia de Oeiras.
Foi responsável pela Organização Regional de Lisboa e pelo trabalho do Partido junto da juventude.
Foi membro do Comité Central desde o VIII Congresso. Foi membro do Conselho Nacional.
Foi membro da Comissão Política do CC e director do "Avante".

quinta-feira, 13 de Novembro de 2014

Este sábado vou homenagear um campeão [e fazer pazes com a natação]

Nunca fui um grande nadador. Grandes nadadores, em Portugal, são aqueles que chegam aos Jogos Olímpicos (JO). Ou então aqueles outros que, pelos seus feitos e o seu exemplo, estão entre os imprescindíveis da modalidade. Eu nunca fui aos JO e não tenho feitos nem exemplo a registar. Nadei muitos quilómetros, competi em muitas provas, ganhei as minhas medalhas (que hoje ganham pó algures num saco, na cave da minha casa), fiz parte de equipas campeãs e convivi com alguns nomes grandes da natação portuguesa. De qualquer forma deixei de nadar aos 17 anos, e aos 17 anos quase ninguém é nadador com N grande.

Não sei ao certo qual a razão que justifica o meu abandono da natação, aos 17 anos. Lembro-me bem do meu último treino, lembro-me da discussão que serviu de pretexto ao meu abandono, lembro-me da aflição dos meus pais e lembro-me de semanas mais tarde não saber bem como viver uma vida sem treinos intermináveis – antes e depois das aulas – e provas ao fim-de-semana. Suponho que estivesse, em determinado momento da minha vida, absolutamente saturado de água, cloro e sobretudo da pressão dos resultados. Pressão que me impunha a mim próprio, e com a qual não fui capaz de viver quando atravessei um longo período de estagnação.

Saí da natação e entrei pouco depois no pólo-aquático. A rotina foi rapidamente retomada. Treinos às 6h30 na piscina do Restelo, com a selecção júnior, treinos à noite no Algés, com a equipa júnior e depois sénior do clube. Foram dois ou três anos magníficos. Mas a universidade e o trabalho (aos 18 anos comecei a trabalhar ao mesmo tempo que estudava) revelaram-se demasiado exigentes para quem tinha naquele tempo urgência de viver.

Voltei a nadar alguns anos depois, quando estava em cima dos 30. Durante uns tempos treinei com a equipa do Clube de Natação Masters de Almada. Cheguei a fazer uma prova do campeonato do INATEL. Lembro-me de ter nadado os 100m Estilos em 1m:06s, se não me engano. O tempo não foi mau mas “ia morrendo”. Também treinei com a equipa sénior de pólo-aquático do Oeiras, mas nessa altura era dirigente do rugby do Belenenses e a coisa não se mostrou compatível.

A natação andou sempre por aí, na minha vida. E se assim é creio que a razão é óbvia: desde o dia em que decidi abandonar a equipa principal do meu querido Algés que ando a tentar fazer as pazes com o desgraçado fantasma do convívio perdido, da rotina alterada e de nunca mais ter dado o grito em conjunto com as outras gargantas algesinas. “V-V-V, SAD. Algés, Algés, Algés”. Ainda é assim que o dizem?

Pois bem, este sábado faço as pazes com a natação. O Pedro Mendonça – e creio que outros tantos nadadores “do meu tempo”, rapaziada da minha criação – está a organizar uma estafeta (múltiplas estafetas, se gente houver para as cumprir) de 1500 metros, e eu já confirmei que estarei no Estádio Naútico, para nadar. Ou pelo menos tentar.

O evento pretende homenagear o Nuno Dias, falecido há semanas atrás. O Nuno, se bem me lembro, chegou ao Algés muito miúdo, vindo da natação do Sporting. Chegou e conquistou o seu lugar, claro. Entroncado, loiro, com um dente da frente lascado, forte e dedicado às distâncias mais longas. Se me tento recordar dos muitos momentos que passei com ele aquilo que me surge de imediato são duas imagens: o tom rosado que a sua pele muito branca assumia depois de um grande esforço e o sorriso franco, a boa disposição crónica, contagiante.

A minha participação na estafeta de sábado cumpre assim dois objectivos: um maior, que é homenagear um campeão que na verdade deixei de ver há anos, mas que fui acompanhando ao longe; outro menor, que é voltar a mergulhar na piscina que foi durante muito tempo a minha segunda casa, e com a água fria do Algés limpar da minha vida a ferida nunca sarada da relação perdida com a natação e o Algés. Pode ser que, com sorte, ainda volte a gritar “V-V-V, SAD. Algés, Algés, Algés!”.


 [o Nuno Dias é o segundo da fila do meio, a contar da esquerda;
eu estou por ali também, algures.]

terça-feira, 11 de Novembro de 2014

Biliões e biliões.

No regresso do trabalho para casa, derrotado pelo cansaço depois de um dia de cão, dei por mim sentado numa carruagem do metropolitano de Lisboa e ler a seguinte passagem de "Biliões e biliões" (Carl Sagan, Gravida):

"O nosso universo é composto por algumas centenas de biliões de galáxias, uma das quais é a Via Láctea. «A nossa galáxia», como gostamos de lhe chamar, muito embora, como é evidente, não sejamos donos dela. É composta por gás e poeiras e cerca de 400 biliões de sóis. Um deles, num obscuro braço da espiral, é o Sol, a estrela local - tanto quanto sabemos, é banal, monótono, vulgar. Acompanha o Sol na sua viagem de 250 milhões de anos à volta do centro da Via Láctea um séquito de pequenos mundos. Uns são planetas, outros luas, outros asteróides, outros ainda cometas. Nós, os humanos, somos uma das 50 milhões de espécies que cresceram e se desenvolveram num pequeno planeta, o terceiro a contar do Sol, a que chamamos terra."

Li este excerto de parágrafo de seguida. Depois olhei em volta, voltei ao seu início e reli o texto, pausadamente, fazendo pequenas interrupções entre cada uma das ideias interligadas que o formam. Os biliões de galáxias, a "nossa", o sistema solar num "obscuro" canto dela, o sol que nos parece gigante mas que na verdade é uma vulgar estrela entre os 400 biliões de sóis da "nossa galáxia", a terra entre os planetas do nosso sistema solar (só em Júpiter caberia mil vezes o nosso planeta...). Por fim nós.

Olhei novamente em volta. Por todo o lado seres humanos metidos nas suas vidas, como eu na minha. Uns rindo, outros dormindo, outros simplesmente existindo naquele momento e naquele lugar ambulante, Lisboa fora debaixo da terra. Por mero acaso os headphones que levava metidos nos ouvidos debitavam "Galaxies", do projecto Stellardrone. Não haveria banda sonora mais adequada.

Não devemos ser condicionados pela nossa pequenez, a nossa absoluta insignificância. Creio em todo o caso que ela deve ser considerada de forma mais ou menos regular durante as nossas vidas. Ter dela consciência é um certo tipo de antídoto contra o egocentrismo que parece marcar a vida dos seres e das comunidades da nossa espécie. Egocêntricos, nós no centro. Um disparate.

Sagan é verdadeiramente o meu "gúru" de auto-ajuda.

domingo, 9 de Novembro de 2014

sábado, 8 de Novembro de 2014

"A Caverna".

A propósito da leitura de "A Caverna", de José Saramago, fui consultar as notas biográficas que em boa hora João Marques Lopes redigiu sobre o autor. Na biografia publicada pela "Guerra e Paz" encontrei, a propósito do já referido romance, uma referência a um texto de Pedro Mexia publicado no DN a 20/01/2001. Não sei o que pensará Mexia sobre o que escreveu naquela data. Não sei se alguma vez releu as enormidades que Marques Lopes transcreve. Mas ao ler as palavras de Mexia lembrei-me das críticas ferozes, injustas, patéticas até, que em 1976 se disseram e escreveram a propósito de um dos melhores discos de José Afonso. Refiro-me ao álbum "Com as minhas tamanquinhas", um dos meus preferidos do professores, poética, músico e militante revolucionário de Setúbal.

As páginas que já li de "A Caverna" permitem-me estabelecer este paralelismo parcial, esta comparação entre incompreensões que soavam à época muito mais como afirmações estético-ideológicas dos críticos do que como apreciações justas sobre o valor dos trabalhos criticados.

sexta-feira, 7 de Novembro de 2014

De mim para mim.

Já não me lembro da última vez que tinha comprado um livro novo para mim. Refiro-me a  um exemplar aparentemente nunca lido, comprado numa livraria convencional. Livros tenho-os comprado às dezenas mas em segunda mão e nos alfarrabistas, por preço inferior à "bica".

Hoje perdi a cabeça. Foi a chamada %&$# da loucura. Tirei de uma estante um exemplar de "O Pintor Debaixo do Lava-Loiças", daquele que considero o melhor autor português vivo, de entre aqueles que conheço e que já li, claro está.

As finanças que não o descubram. Não lhes digam nada, por favor.

Agora fica ali na estante, em boa companhia, entre um Howard Fast e um Leon Uris, à espera que eu termine "A Caverna", do autor que mais me falou e fala ao coração. Saramago, naturalmente.